Desde muito cedo, quando era criança no Brasil, recebi várias mensagens direta ou indiretamente que diziam que ser gay não era uma coisa boa (na época, a palavra usada era viado ou bicha). Ouvia vizinhos, pais de amiguinhos fazendo piadas e comentários maudosos em relação a homens afeminados e delicados. Esses gays dos quais os adultos (muitas vezes os nossos próprios pais) se referiam não tinham uma voz e por isso qualquer um se sentia a vontade para fazer piadas, porque eles sabiam que nenhum “viado” ia ter coragem de reclamar ou de se revoltar.
A vergonha de ser gay – o vexame que seria ter um gay na familia – é motivo para que vários homens gays não saiam do armário, nunca se expressem, e nunca se defendam. O que explica o fato dos gays afeminados serem os mais evidentes no Brasil. Eles acabam sendo expostos desde cedo por serem diferentes. Já os homens gays que não exibem comportamento feminino (a maioria deles) se fingem de heteros passando desapercebidos e muitas vezes acabam se casando com mulheres.
E como pode uma pessoa gay ser autêntica em um mundo que faz de tudo pra que ela esconda a sua verdadeira indentidade?
Antes mesmo de eu saber o significado dessas palavras ofensivas, na minha mente de criança, eu entendi que ser gay era algo horrível e que era motivo de muita vergonha. Eu acredito que muitos homens gays, se não todos eles, passam por esse processo desde cedo. Um processo de destruição da auto-estima que começa com o sentimento de que ninguém jamais irá nos aceitar ou nos amar do jeito que somos.
E se ninguém irá nos amar do jeito que nascemos, digamos “com defeito de fabrica”, nós vamos fazer de tudo para compensar por esse defeito e aí é que a gente acaba se perdendo. É ai que começamos a evitar a vergonha e assim acabamos vivendo em função dela. Como evitarei a vergonha de ser gay hoje? Como evitarei que alguem me xinge na escola? Como evitarei as fofocas no trabalho?
É como se uma voz estivesse plantada na nossa cabeça nos policiando. Será que minha voz está aguda de mais? Tou dando pinta? Tou muito magrinho? Preciso ficar mais musculoso! Eles tão rindo de mim? E por ai vai…
Ser autêntico, que quer dizer ser verdadeiro, acaba virando um conceito distante diante de tanto medo e tanta confusão.
O meu objetico com esse site é abrir um diálogo com outros homens e mulheres sobre estas questões que eu considero essenciais para que qualquer pessoa tenha uma vida saudável e feliz. O auto conhecimento, a autenticidade e a conscientização são elementos fundamentais para a vida de todos os seres humanos, e todos eles têm o direito de se expressar da forma que quiserem. E você:
- Como você manifesta a sua autenticidade?
- Você tambem se policía e se critica constantemente?
- Você sente vergonha ou tem medo que as pessoas descubram quem você é de verdade?
- Você gostaria de sair do armário mas tem medo de ser rejeitado?
Quero saber o que você acha e qual é a sua experiência na sua cidade, no trabalho, na escola.
Espero que hoje seja o dia em que você comece a pensar no assunto ou se já esta a caminho da sua autenticidade, que continue se libertando da vergonha e do estigma que foram plantados injustamente desde cedo na nossa cabeca. Viver uma vida feliz e autêntica é possivel. Talvez não aconteça da noite pro dia, mas é possivel. Tudo é possivel.